Herói da Copinha, Carlinhos quase teve perna amputada após tiro

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Artilheiro e campeão, atacante caiu no choro quando relembrou acidente aos cinco anos e o esforço da família para que se recuperasse. Pelo desejo do pai, seria pastor

Carlinhos quase não foi o herói do Corinthians na Copa São Paulo de Futebol Júnior, vencida pelo Timãozinho após triunfo por 2 a 1 sobre o Batatais, na quarta-feira (veja como foi o jogo). Quando era criança, em Jaú, no interior de São Paulo, o garoto, aos cinco anos, levou um tiro na perna. Ele estava a caminho da igreja quando a arma de um ladrão de boi disparou acidentalmente e o atingiu.

Eu caí no chão, não sentia mais nada. Só vi uma poça de sangue. Veio um monte de gente. Os médicos falaram que eu iria amputar, porque o osso trincou. Na primeira vez que meu pai me viu jogando, chorou muito, porque o médico falou que eu sou um milagre de Deus. Com o osso trincado, eu consigo correr, não sinto dor, não sinto nada. Foi um momento muito difícil para minha família quando tomei o tiro. Abalou muito – lembra Carlinhos.

Quatorze anos após o ocorrido, o artilheiro da Copinha, com 11 gols, ainda se emociona ao relembrar. Quando o atacante contou sobre a recuperação e o apoio familiar, caiu no choro.

Foi difícil. Meu pai e minha mãe são meus heróis. Minha mãe chegava às 11h da noite, trabalhando na casa dos outros, para sustentar eu e meus seis irmãos. Tenho que agradecer pelo meu pai, minha mãe, minha avó, por estarem na minha vida. Estou conseguindo dar a volta por cima para dar uma vida boa para eles. Minha mãe e meu pai sofreram muito, mas nunca passamos fome. Esse título é para eles – falou o garoto, agora com 19 anos.

Carlos, o pai do autor do primeiro gol no Corinthians na decisão, estava na numerada laranja do Pacaembu. Assim que acabou o jogo, Carlinhos foi cumprimentar o pai e lhe entregou a camisa que usou na partida contra o Batatais. Carlos também relembrou os momentos complicados.

Só não arrancou a perna porque Deus fez um milagre. Isso deixou marcas em nós até hoje. No começo, eu não queria que ele jogasse bola. Sou pastor de igreja, queria que ele também fosse. Depois disso, começou a jogar escondido de mim. Ele era sempre artilheiro do campeonato de creche. Jogando bola, chegou onde está. É uma emoção grande ver os sonhos dele se realizando – conta o pai, emocionado.

Fonte: Globoesporte

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