Andrés Sanchez se diz contra impeachment, mas pede Roberto mais ativo no Timão

Andrés Sanchez terá conversa importante com Roberto

Andrés Sanchez lidera movimento para que o atual mandatário peça licença, confirma que o cobrará para “estar mais presente, saber delegar as coisas”

Dirigente influente no Corinthians, apesar de não exercer oficialmente qualquer cargo no clube, o ex-presidente Andrés Sanchez confirmou neste domingo que terá uma conversa nesta segunda-feira com o atual mandatário, Roberto de Andrade, que volta ao Brasil após três semanas de férias nos Estados Unidos.

Com pressão de oposicionistas e antigos aliados, liderados por Andrés, Roberto deve ser forçado a pedir licença da presidência por três meses. Caso não aceite, o processo de impeachment que corre no Comitê de Ética do Conselho Deliberativo ganhará mais força. O ex-presidente se declara contra o impedimento.

Segundo o deputado federal (PT-SP), a decisão de seguir ou não no cargo será do próprio Roberto, mas a sua cobrança será por uma mudança de postura dele em relação ao Timão.

– Depende do presidente (se licenciar). Eu vou falar com ele amanhã, preciso falar um monte de coisas que vejo e sinto. Vamos juntar o máximo de pessoas para resgatar o Corinthians e sair desse noticiário pejorativo. Não estou propondo assumir nada. Mas óbvio que estou à disposição para o que o presidente precisar e o problema é maior que o futebol. Temos que unir as forças e apaziguar o clube. Esse negócio de impeachment atrapalha profundamente as estruturas. Temos vários contratos e isso traz uma insegurança ao seu parceiro – disse Andrés à rádio Transamérica.

– Estar mais próximo das pessoas, no dia a dia do clube. Ele tem que estar mais presente no clube do que na sua vida pessoal, nem todo mundo tem esse tempo. Administrar um clube como o Corinthians a distância é complicado – continuou.

– Vou cobrar dele amanhã (segunda-feira), para ele estar mais presente, saber delegar as coisas. O Corinthians é uma peneira, todo mundo fala, manda (…) Vamos conversar sobre o problema político do clube – completou ele, que não descarta voltar ao dia a dia do clube.

Encabeçado por Andrés Sanchez, o movimento ganhou força na última quinta-feira, em reunião presidida por André Luiz Oliveira, conhecido como André Negão, vice-presidente que esteve à frente do Timão nas últimas três semanas de forma interina. No encontro, o nome do antigo vice Luis Paulo Rosenberg também foi aprovado para um retorno ao Timão. É possível que ele reassuma o departamento de marketing, que perdeu Gustavo Herbetta na sexta-feira.

Roberto apresentou defesa contra o impeachment que é apoiado por 63 conselheiros em 8 de dezembro. São dois os casos investigados pelo Comitê de Ética: no primeiro, Roberto rubricou, como presidente em exercício, uma lista de presença de assembleia geral de cotistas da Arena que ocorreu dois dias antes de ele ser eleito. Além disso, o nome dele apareceu, também como presidente, em contrato do estacionamento da arena com a Omni, 27 dias antes das eleições.

– É um crime para o clube (impeachment), faz mal ao clube. Mais fácil se juntarem todos agora para tentar resgatar o Corinthians do que ficar falando de impeachment – afirmou Andrés, sem esconder que situação e oposição fazem um movimento de união neste momento.

Por conta da internação a que teve de ser submetido no fim de novembro, após um mal estar, Roberto de Andrade tem sofrido pressão também de sua família para abandonar o cargo, o que pode pesar a favor da decisão. Diferentemente de renúncia, uma licença não exigiria a convocação de eleições imediatas. Outra opção é assumir um posto de “Rainha da Inglaterra”, onde terceirizaria as decisões.

Nos bastidores do Parque São Jorge, a informação que circula é que a saída de Roberto abriria caminho para a eleição de Paulo Garcia no próximo pleito. Antes oposicionista, hoje o empresário conta com o apoio de Andrés. Sem Roberto, André Negão ficaria à frente da presidência.

Fonte: Ge.com

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